A Conferência teve como objetivo amplificar o diálogo entre o povo, gestão pública e representantes dos movimentos sociais
“Somos todos irmãos
Conquistando o melhor por vir
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez…”
Este é um segmento da canção “Hino à Negritude”, do compositor Eduardo de Oliveira e que foi interpretada com emoção pelos presentes na 2ª COMPIR, quando o som falhou no meio da canção. Mas talvez não tenha sido uma falha. Talvez tenham sido os orixás, levando-os a cantar à capela, e assim finalizaram mostrando a força, resistência e a ancestralidade de um povo que não silencia, mesmo quando tentam desligar o som.
Foi no sábado anterior (14), Franco da Rocha sediou a 2ª Conferência Regional de Promoção da Igualdade Racial (COMPIR), com o tema “Igualdade e Democracia: Reparação e Justiça Racial”. O acontecimento ocorreu no auditório da Secretaria de Assistência Social (Rua Cinco de Maio, 97 – Centro) e foi planejado através da Prefeitura, através das Secretarias de Governo, Comunicação e Cultura, em colaboração com o CIMBAJU (Consórcio Intermunicipal dos Municípios da Bacia do Juquery), sendo a única referência institucional de igualdade racial conduzida por uma prefeitura da área.
A Conferência teve como objetivo amplificar o diálogo entre o povo, gestão pública e representantes dos movimentos sociais, além de construir propostas que promovam democracia, justiça racial e reparação histórica, temas citados diversas vezes durante o acontecimento.
Cultura: também é um símbolo de resistência
A programação do acontecimento foi extensa e iniciou no momento da tarde, com um coffee break. Em seguida, ocorreu a abertura oficial, com a apresentação das autoridades e conselheiros municipais. Entre as autoridades destacaram-se os prefeitos do CIMBAJU e o diretor geral do Consórcio, Wagner Carneiro de Santana; o cacique Auan, da população indígena de Mairiporã e Nega Lora (Ivete Rodrigues Macedo e Silva), palestrante e referência nacional na luta antirracista.
Logo na abertura, a prefeita Lorena Oliveira destacou a necessidade do encontro para a atuação do governo.
“É uma luta ainda muito grande, a gente tem que reconhecer que existem avanços, mas muitos desafios. Quero colocar a minha função à disposição para que a gente lute juntos e garanta os direitos da população da nossa cidade e do nosso país e por isso temos a conferência. Os gestores públicos, além de terem participação social, têm a responsabilidade de construir uma sociedade mais justa, livre de preconceitos e sem violência ”, enfatizou a prefeita.
A palestrante Ivete Rodrigues, Nega Lora, levou reflexões importantes sobre a luta por igualdade racial. “Rodamos as conferências por todo o Brasil para construir uma política que não retroceda, mesmo com a troca de gestão. Isso é um gasto de tempo, de pessoas e de dinheiro. Queremos uma lei nacional que fortaleça as outras leis municipais e estaduais, para que os avanços não sejam perdidos.”, ressaltou.
Nós vivemos hoje uma escravidão contemporânea. A Constituição nos defende direitos iguais, mas o que vemos ainda é exclusão. E se nós não nos colocarmos neste novo ciclo tecnológico, seremos outra vez deixados para trás.”, também explicou Nega Lora sobre a inclusão da população negra em meio as novas tecnologias.
O grupo/escola de capoeira Mandinga de Dendê levou a capoeira como expressão de resistência. Sob direção do Mestre Euclides, o público participou de forma ativa com gingas e danças de Maculelê, tornando o momento empolgado. Já no segundo momento cultural, a cantora Sabrina levou sua voz potente e também mensagens de resistência.
Um dos que participam do acontecimento foi Antônio Souza, mestre em Educação e doutorando na área de formação de professores através da USP. Ele relatou:
“Vim até Franco e estou escrevendo aqui mesmo tudo o que está rolando na Conferência para me auxiliar. É importante ter agora esse projeto, pois a minha nova formação fala sobre o racismo. Compreendê-lo como processo histórico é fundamental para superá-lo.”
Antônio pretende usar o conteúdo e as vivências da COMPIR em sua pesquisa, mostrando como a participação comunitária em conferências é também um ato pedagógico, pois isso auxilia os professores.
A 2ª COMPIR foi um momento histórico para Franco da Rocha e área. Como destacou a prefeita Lorena Oliveira, “A Conferência reafirma o compromisso com a igualdade racial como política pública estruturante e é um esforço coletivo para transformar tudo o que causa a desigualdade”.
Mais autoridades presentes
Outros nomes de destaque no acontecimento foram os vice-prefeitos Diego Hernandes (Franco da Rocha) e Francisco Barnabé (Francisco Morato), os vereadores Erick Valini (Franco da Rocha) e Dom João Paulo (Francisco Morato), representantes do Conselho Estadual de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra, como Marlene Alves da Costa e Reginaldo Costa. Também permaneceram presentes Flávio Soares de Barros, que é dirigente estadual da Rede Sustentabilidade; Décio Vieira, da Comissão Organizadora Estadual (COE); e Jorge Luiz, coordenador de Igualdade Racial da ALESP.
A programação contou ainda com a presença de gestores e representantes municipais e intermunicipais, como Ricardo Massonetto, secretário de Cultura de Mairiporã; Samanta Silva, secretária de Governo e Comunicação de Franco da Rocha; Eduardo Reis, secretário de Educação de Franco da Rocha e Larissa Raniel, coordenadora da Sala de Apoio à População LGBTQIA+, representante da ANTRA e assessora em políticas públicas de Francisco Morato. Reginaldo Rogério Raimundo, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Mairiporã, também esteve presente.
Texto e fotos: Khananda Beatriz
Fonte: Francodarocha.sp.gov.br
